Coluna Take Me Home, United Road

Gabriel Carmona Baptista, 18 anos, é estudante de Direito e torcedor do Manchester United desde 1999. Foi administrador do antigo Portal FifaNext.com. Faz parte da equipe do ManUtdBR.com desde abril de 2008 como Redator, e agora exibirá seus textos também como colunista.
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UMA PAUSA PARA REFLEXÃO...
Por Gabriel Baptista
11/04/2009
Da última vez que escrevi uma coluna no site até hoje, ocorreram mudanças radicais na situação do Manchester United. Mudanças que fizeram desse momento, de um marco na história do futebol, uma fase negra que parece querer manchar um período vitorioso em Old Trafford.
Esse talvez seja o momento mais delicado do United desde a criação do ManUtdBR.com. Digo isso porque de 2005 (ano do lançamento do site) até hoje, o clube viveu um período de quase constante ascensão, pautado por pequenos deslizes, mas nada que atrapalhasse o crescimento de um grupo que começou a atingir o auge um ano depois, com a conquista da Premier League 06/07, após dois anos assistindo à hegemonia do Chelsea de Mourinho.
Por esse motivo, não posso deixar de dar importância à queda extremamente repentina sofrida pelo time nas últimas semanas e sou obrigado a deixar de lado, pelo menos por enquanto, a série “O Melhor do Mundo” para falar um pouco do buraco em que estamos nos metendo (até porque, se continuarmos assim, o título da série de colunas em questão não vai ter mais nenhum sentido!).
É simples como uma expressão popular: "Quanto mais alto, maior é a queda". E foi isso o que aconteceu com o time de Sir Alex Ferguson depois de uma invencibilidade praticamente inacreditável no nível em que está o futebol europeu. Vamos aos números:
» O Manchester United não perdia um jogo sequer da Premier League desde o dia 08/11/2008, quando tomou uma virada de sorte para o Arsenal (dois gols dos gunners no finalzinho da partida).
» De lá pra cá, foram 29 jogos por todas as competições (sem contar o Mundial) com apenas UMA derrota (em um dos confrontos da Carling Cup contra o Derby County – massacramos eles no segundo jogo e passamos de fase).
» Foram 16 jogos sem perder pela PL, incluindo uma série de 11 vitórias seguidas.
» Além disso, com Van der Sar no gol, o United bateu o recorde europeu de invencibilidade (quase 20 jogos sem sofrer NENHUM tento).
O mundo vivia a expectativa de ver um time realizar uma temporada absolutamente perfeita e conquistar tudo o que podia de maneira avassaladora e incontestável. Porém, algo deu errado. No dia 4 de março, a defesa invencível foi vazada, pela primeira vez com Van der Sar após a série invicta, por um gol resultante de uma falha defensiva e do goleiro holandês e o United teve que buscar um segundo gol para vencer o Newcastle; três dias depois, pela FA Cup, contra o FULHAM, um show de Carlos Tevez e um 4 a 0 no placar; Pela Champions League, um resultado relativamente fácil contra a Inter em um jogo que, a meu ver não teve um placar tão justo, que só foi justificado porque na soma dos jogos o United massacrou em número de oportunidades.
Essa foi a última vez que vimos um jogo dominado pelo United, porque no dia 14 de março, jogando em casa, o time de Sir Alex mostrou como perder as "estribeiras". Um jogo que começou com um 1 a 0 no placar e que caminhava para uma vantagem na tabela quase irremediável, terminou com um revés inacreditável e uma goleada: 4 a 1 para os Reds.
Daí para frente, tudo foi mal: na derrota para o FULHAM (aquele mesmo do 4 a 0) com dois gols atrás no placar, concordando com nosso colunista Geraldo, "a casa caiu...". Dois jogadores expulsos, uma apresentação pífia e a semente da total desconfiança plantada sobre um elenco que tinha tudo para se tornar o melhor da história.
Depois disso, veio o jogo contra o Aston Villa (outro ótimo time em péssima fase) e a palavra-chave da partida foi "Emoção", e do começo ao fim. Abrimos o placar jogando mal, tomamos a virada jogando pessimamente e viramos o jogo mostrando garra e muito oportunismo (de Ronaldo, Sir Alex e do jovem de muita estrela Macheda). Mantivemos a ponta da tabela (ainda com um jogo a mais para fazer), mas a desconfiança no time ainda continuou.
Continuou e aumentou, porque essa semana conseguimos o que parecia impossível: fomos jogar no Old Trafford, contra o adversário considerado o mais frágil da fase atual da Champions League e conseguimos ver, em um só jogo, no que a nossa zaga praticamente inviolável havia se tornado. Um bando de jogadores de vermelho tomando um baile do trio ofensivo do Porto. "Estávamos sem Ferdinand"? Sim, mas basta lembrar que muitos dos jogos de invencibilidade foram sem ele também para ver que isso não justifica nada. A entrada de Neville (que, na minha opinião, já era) só piorou as coisas, e resultou no gol de empate do time português, depois de termos sofrido para virar o placar com Tevez (o que será de nós se ele realmente sair?!).
O resumo disso tudo é: Nas 29 partidas de invencibilidade o United sofreu 11 gols; Nas últimas três, já tomou 8. Isso só prova que o que deve ser feito agora, para que tudo possa voltar à normalidade, só Sir Alex Ferguson pode fazer: parar para pensar, conversar com o grupo e dar um jeito de colocar ordem na casa e as cabeças em seus devidos lugares para não sairmos da temporada tendo conquistado somente a Carling Cup, o que seria pífio depois de toda a expectativa em torno da força do time rumo à temporada perfeita.
Para quem pensa nos títulos que ainda disputamos, uma coisa tem que ser deixada clara: no nível apresentado pelo United nos últimos jogos, não adianta nem sonhar com Champions League e, sinceramente, seria melhor que caíssemos agora contra o Porto para não ter que passar vergonha contra o Arsenal – em uma provável semifinal, o que seria horrível – ou, pior ainda, sermos humilhados pelo Barcelona (que simplesmente massacrou o Bayern de Munique) – numa provável final –; também não adianta perder tempo com a FA Cup, que vai valer muito da sorte e de estar em dias inspirados, como sempre foi nesse tipo de competição democrática; teremos que depositar todas as nossas forças em não dar o título da Premier League de bandeja para o Liverpool, que depois de tomar uma lavada do Chelsea no Anfield e praticamente jogar fora a UCL, vai vir com tudo e mais um pouco para tentar abocanhar a PL o que, convenhamos, não é impossível devido às circunstâncias atuais.
Só para encerrar, gostaria de dar destaque a algo que venho observando ultimamente: já há algum tempo, nos finais de temporada, Sir Alex Ferguson vem dando as suas viajadas. Talvez porque pensa em girar o elenco e poupar jogadores, ou porque acha que quando o time começa a sentir a pressão ele tem que alterar algo no esquema para mudar a cabeça dos jogadores. Na temporada passada, as últimas partidas foram disputadas com Rooney isolado no ataque ou, pior, com Ronaldo como centro-avante e Tevez e Rooney praticamente como volantes (o que eu acho ridículo). Agora, SAF inventa de entrar em campo com escalações malucas que são facilmente dominadas pelo adversário (como foi o caso do jogo contra o Porto).
Claro que, como bons torcedores, não podemos perder as esperanças de conquistar tudo na temporada, pois isso não só é possível, como é muito provável se voltarmos a jogar como a um mês atrás antes do segundo jogo contra o Porto.
Vamos torcer...
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