Em pouco mais de um ano à frente do Manchester United, o técnico Ruben Amorim viveu uma rotina que vai muito além das quatro linhas. Segundo levantamento divulgado recentemente, o treinador concedeu 491 entrevistas a emissoras detentoras de direitos, como Sky Sports e TNT Sports, além da MUTV e coletivas oficiais de imprensa. O número chama atenção por um detalhe ainda mais impactante: Amorim esteve no cargo por 431 dias, ou seja, falou com a imprensa mais vezes do que efetivamente trabalhou dias no clube.
A estatística expõe um problema antigo, mas cada vez mais evidente em Old Trafford: a hiperexposição midiática. Em um ambiente já marcado por pressão esportiva, instabilidade institucional e cobranças constantes, o excesso de compromissos com a mídia levanta questionamentos sobre até que ponto essa dinâmica é saudável para o treinador, os jogadores e o próprio clube.
🤯 Uma estatística estarrecedora: em 431 dias no Manchester United, Ruben Amorim concedeu 491 entrevistas.
➡️ Exposição excessiva, pressão constante… isso não pode permanecer assim. Não é saudável para o clube! pic.twitter.com/snzvgduiUx— Manchester United Brasil (@ManUtdBR) January 10, 2026
No futebol moderno, a comunicação é parte estratégica do negócio. Clubes globais como o Manchester United possuem obrigações contratuais com transmissoras, patrocinadores e plataformas próprias. No entanto, especialistas em gestão esportiva alertam que o desequilíbrio entre exposição e foco esportivo pode gerar desgaste desnecessário, ruído interno e até interferir no desempenho em campo.
No caso de Ruben Amorim, cada declaração passa a ser analisada, recortada e repercutida em escala mundial. Uma frase fora de contexto vira crise. Um comentário técnico vira manchete. O resultado é um ambiente permanentemente tensionado, em que o treinador precisa administrar não apenas o elenco, mas também uma agenda midiática quase ininterrupta.
Internamente, cresce a percepção de que a diretoria precisa assumir maior controle sobre a comunicação do clube. Blindar o treinador e o elenco, reduzir a quantidade de entrevistas e estabelecer critérios mais rígidos para aparições públicas são medidas vistas como urgentes por quem acompanha o dia a dia do United.
O Manchester United sempre foi um gigante midiático, mas sucesso esportivo raramente caminha lado a lado com excesso de barulho externo. Em um momento de reconstrução, a cobrança por resultados passa, inevitavelmente, por decisões fora do campo. E uma delas parece clara: menos microfones, mais futebol.


